domingo, 31 de agosto de 2014

A Revolução acontece quando o caos se instala

Ato Social: Secretaria da Educação do Estado da Bahia
Ator Social: Colegiado Escolar do Colégio Estadual Doutor Milton Santos
Problema: Baixa Proeficiência nas avaliações externas (Prova Brasil e AVALIE)

ATUAR PARA MUDAR



As organizações sociais que atuam na encruzilhada da política social tendem a ficarem mais próximas dos nós críticos, proximidade esta que pode vir até a prejudicar a visualização do nó, pois este passa a fazer parte da estrutura da solução e daí apontarem falsas soluções. Bem para nos apropriarmos melhor da situação vamos entender o que é um ato social, ator social, problema e o nó crítico.
O Ato Social é uma organização, uma personalidade ou um grupo social que atua no contexto, relacionando-se com os problemas de maneira ativa, já o ator social é identificado a partir dos seguintes requisitos: Possui um projeto, controla um recurso relevante para o jogo, possui capacidade de produzir fatos no jogo social. Já o problema é uma deficiência presente, detectada na observação do jogo social. É visto como uma desconformidade com o desejado por um ator social, que por isso resolve declarar a existência do problema. Antes que o ator declare essa desconformidade como um problema, configura apenas uma necessidade sem demanda política. É situacional, ou seja, muda conforme cada ator. Ao declarar um problema, o ator assume o compromisso de enfrentá-lo. Um problema começa a ser foco de atenção para um ator pelo mal estar que produz ou pelas oportunidades que se abre com o seu enfrentamento.  O nó crítico é denominado como crítico por concentrar e tornar prática a ação destinada a mudar o placar do problema.  São nós críticos, os que satisfazem simultaneamente as seguintes condições:- têm alto impacto sobre o VDP(Vetor Descrição do Problema)  do problema (se o fluxograma for bem feito, qualquer nó deve cumprir esta primeira condição); são um centro prático de ação, ou seja, o ator deve poder agir de modo prático, efetivo e direto sobre a causa, sem a necessidade de ver-se obrigado a agir sobre as causas da causa;  são um centro oportuno de ação política durante o período do plano, o que implica o julgamento preliminar de sua viabilidade política e da relação custo-benefício político.
Diante do exposto: o ganho individual, o apadrinhamento dentro de programas públicos, esses ocorrem nos níveis da elaboração e de execução, bem como a pouca observância da realidade cultural e da estrutura física do local onde a execução será realizada acaba por ter um alto impacto na ação e quando não vistos acabam, em longo prazo, por revelar sua ineficiência, sua frouxidão, ineficácia até a sua não operacionalidade. Daí o cuidado especial ao declarar um nó como nó crítico. Este pode ser contornado em determinado momento, contudo a sua solução deve e precisa estar sempre presente na condução das ações do fluxograma.

sábado, 30 de agosto de 2014

Comunidade Herdada x Comunidade Necessária



O estado herdado deixou diversas marcas individualistas dentro de um sistema que deveria ter por base a partilha, o bem comum, a solidariedade, o cuidado para com o mais fraco. Quando o individualismo abre um pouco de espaço o corporativismo entra em ação de forma contundente.  Então os programas direcionados à Educação, à Saúde e à Moradia pensados  e elaborados no intuito de ser um política pública que irá minimizar os atrasos educacionais, prevenir sofrimento, auxiliar na dignidade humana passam a ser executados numa visão imediatista, com urgência de visibilidade eleitoreira, de formar a beneficiar um determinado grupo, sem utilizar os critérios pré-estabelecidos que poderíamos de forma genuína e constitucional obter benefícios duradouros e que efetivassem esta palavra tão “batida” cidadania e tão pouco conhecida na sua essência.
Nesse processo nos debatemos com os programas de excelência feitura como o Mais Educação, o Mais Médico e o Minha Casa, Minha Vida que ao serem indicados para melhoria social são bombardeados por vícios herdados e que se encontram impregnados em nosso fazer administrativo público. Vícios estes: criar mecanismos para que empresas privadas de pessoas de nosso círculo social realizem as atividades, isso sem nenhum senso de criticidade; beneficiar os mais próximos, sem o cuidado para com a excelência no atendimento, primar pela visibilidade publicitária, antes de sua avaliação como uma política, de fato, inclusiva. Bem, sabemos que todos estes programas poderiam fomentar outros programas que gerariam renda e alavancaria a economia popular e solidária, gerando desenvolvimento de baixo para cima. Desenvolvimento este que ampliaria o senso crítico de exercício cidadão e nos aproximariam de uma melhor observância na prática da gestão pública.
Além das ações citadas acima como impeditivo para uma política pública de grande impacto no comportamento social, temos ainda um entrave já na feitura dos programas que é a não observância de sua aplicabilidade na realidade concreta. E esta é uma dificuldade de alto grau já que vivemos num país de grandes dimensões geográficas e de disparidades socioeconômicas. No entanto esta dificuldade pode ser redimensionada se conseguirmos colocar em nosso estado necessário “...um verdadeiro período popular da história, já entremostrado pelas fragmentações e particularizações sensíveis em toda parte devidas à cultura e ao território.” Milton Santos.